terça-feira, 19 de novembro de 2013

Litoral Paranaense

          A região litorânea do estado do Paraná localiza-se entre a Serra do Mar e o Oceano Atlântico e entre os litorais de São Paulo (ao norte) e Santa Catarina (ao sul). A região tem aproximadamente 6.600 km² e abrange as bacias hidrográficas de Paranaguá e Guaratuba.
         A região litorânea do Estado do Paraná abrange os municípios de Guaraqueçaba,
Antonina, Morretes, Paranaguá, Pontal do Paraná, Matinhos e Guaratuba e parte
dos municípios de Quatro Barras, Piraquara, São José dos Pinhais e Tijucas do Sul.
As principais cidades da região são Paranaguá, Morretes, Antonina, Matinhos e
Guaratuba. Na orla litorânea sul existe ocupação praticamente continua entre
Pontal do Sul e a Barra do Saí. 


Fisiografia

No trabalho de Geografia Física do Estado do Paraná, Maack (1968)
considerou o litoral como uma das cinco grandes zonas de paisagem natural, ou
regiões geográficas naturais, do Estado e o subdividiu em duas subzonas: a das
planícies litorâneas e a montanhosa litorânea. Essas mesmas sub-zonas
tinham sido denominadas de orla marinha e orla da serra por Loureiro Fernandes
(1947).
Quando se consideram as bacias hidrográficas das baías de Paranaguá e Guaratuba,
a região litorânea inclui partes da Serra do Mar e do Primeiro Planalto Paranaense.

Geologia

Com relação às bacias mesozóico-cenozóicas da margem continental brasileira, o
litoral do Paraná se localiza na borda da bacia de Santos. Segundo Fuck et al.
(1969), os principais alinhamentos no embasamento são predominantemente de
direção NE-SW. Na região de Paranaguá-Guaratuba, atingem orientação N 20º-
30º E até N-S. Ao norte de Baía de Paranaguá, os alinhamentos mudam de direção
para N 50º-60º E e, próximos à costa, fixam-se em N 30º-40º E. Dentre as estruturas
regionais, destaca-se o Arco de Ponta Grossa, reconhecido por Sanford & Lange
(1960, apud Almeida, 1976). O Arco de Ponta Grossa é uma estrutura alongada,
cujo eixo tem orientação NW. Ferreira (1982) definiu quatro grandes alinhamentos
tectônicos que delimitam compartimentos do Arco de Ponta Grossa e refletem,
ou limitam, área com grande densidade de diques e soleiras de diabásio. Os alinhamentos
São Jerônimo-Curiúva e Rio Alonzo, de orientação NW, passam pelo
litoral norte e sul do Paraná respectivamente.
O tectonismo cenozóico, segundo Asmus & Ferrari (1978), resultou essencialmente
em falhamentos normais com até 3000 m de rejeitos verticais, ao longo de
linhas de fraqueza pré-cambrianas, dando lugar ao deslizamento gravitacional de
blocos, os quais atualmente se expressam por escarpas de linha de falha, tais
como a Serra do Mar (Almeida 1976, Asmus & Ferrari 1978). Com relação à
neotectônica, Riccomini et al. (1989) se referem ao “sistema de rift da Serra do
Mar”, falhamentos de provável idade Pleistoceno Superior - Holoceno, possivelmente
ativas até o presente.
No litoral do Estado do Paraná, ocorrem dois domínios geológicos principais: o
das rochas do embasamento, ou escudo, e o da cobertura sedimentar cenozóica.
Tanto as rochas como os sedimentos estão associados às grandes unidades
geomórficas da região.

Baía de Paranaguá

          O complexo estuarino de Paranaguá possui dois
eixos principais: um de orientação leste-oeste, formado
pelas baías de Antonina e de Paranaguá, com
comprimento de aproximadamente 45 km e largura
máxima em torno de 7 km, e outro eixo de
orientação norte-sul, constituído pela Baía das Laranjeiras,
com comprimento aproximado de 30 km
e largura máxima em torno de 13 km. A bacia
hidrográfica deste complexo estuarino tem aproximadamente
3.882 km². As cartas
batimétricas indicam que a baía possui, em geral,
profundidades inferiores a 10 m, ocorrendo extensos
baixios e uma orla quase contínua de
manguezais. Somente nos dois canais principais
da baía, as profundidade ultrapassam 10 m, atingindo
em alguns locais 20 m (figura ao lado). Os canais
evidenciam duas vias preferenciais de circulação,
separadas por um alto batimétrico denominado
Baixio do Perigo, que pode ser considerado como
o limite entre os sistemas das baías de Paranaguá
e Laranjeiras.
            O complexo estuarino se comunica com o mar por duas desembocaduras localizadas entre Pontal do Sul e Ilha do Mel – desembocadura Sul e entre as ilhas do Mel e das Peças – desembocadura Norte (figura ao lado). A desembocadura Norte, na sua parte mais estreita, tem uma largura em torno de 1.600 m, apresentando um canal com profundidade superior a 20 m. Em direção ao mar o canal bifurca-se, passando ao norte e ao sul da Ilha das Palmas. A desembocadura Sul tem na sua parte mais estreita uma largura aproximada de 2.800 m. Associados às duas desembocaduras ocorrem extensos deltas de maré vazante (Angulo 1999) (figura a baixo).

Ilha do Mel

            Na Ilha do Mel, durante a segunda metade do século XX, registraram-se variações
de mais de uma centena de metros na posição da linha de costa. No istmo de
Nova Brasília, há menção à ocorrência de processos erosivos nesta área já na
década de 1950, quando a largura do istmo encontrava-se em torno de 150 m.
Em 1980, não somente a erosão havia parado como ocorrera deposição de areia,
representando o alargamento do istmo em algumas dezenas de metros. No final
da década de 1980, o processo erosivo foi retomado, com intensificação a partir
de 1992. Ele levou ao estrangulamento progressivo do istmo até a
largura de menos de 5 m e à destruição das construções próximas à linha de costa
(Paranhos Filho et al. 1994). Em março de 1995, já existia um trecho de 36 m de
extensão sem qualquer remanescente dos terraços de cordões holocênicos. Em
maio de 2001 a extensão deste trecho era de aproximadamente 260 m. Desde
1995, existe comunicação entre as águas da baía e as do mar. A intensificação do
processo erosivo no istmo de Nova Brasília durante a década de 1990 foi simultânea
à formação de um esporão arenoso ancorado na Ponta do Farol da Conchas,
na extremidade sul da praia, com duas componentes de crescimento:
uma longitudinal e outra transversal. Na direção longitudinal, a terminação do
esporão, com um pequeno embaiamento à retaguarda, avança gradualmente em
direção à parte sul do istmo, à velocidade de crescimento média estimada foi de
cerca de 100 m/ano.

Marés

          Informações sobre marés têm sido obtidas em vários pontos da região, com 6
estações localizadas no interior da Baía de Paranaguá e sua desembocadura e na
boca da Baía de Guaratuba com dados que se remontam a várias décadas, mesmo
que descontínuos. O litoral do Paraná apresenta uma amplitude das marés de sizígia
inferior a 2 m, o que caracteriza um regime de micromarés. Segundo a fórmula
proposta por Defant (1958, apud Komar 1976), a análise de um ano de maregrama
do Porto de Paranaguá forneceu um valor de 0,24, que caracteriza a maré como
semidiurna (0 a 0,25), porém com um valor próximo do limite com as marés
mistas predominantemente semidiurnas. Isto significa que ocorre uma maré secundária
com período menor.
          No ano de 1982 a Portobras (1983) realizou medições das marés em três locais da
costa paranaense: Porto de Paranaguá e Ilha das Cobras, localizados no interior da
Baía de Paranaguá, e Pontal do Sul, situada na desembocadura sul da baía. As
amplitudes foram maiores no porto (178 cm) e menores em Pontal do Sul (145 cm),
mostrando o efeito de amplificação do estuário. As diferenças de altitudes entre
os níveis máximos e mínimos observadas no período (agosto a dezembro de 1982)
também foram maiores no interior da baía, sendo de 3,1 m no Porto e 2,8 m em
Pontal do Sul.
          Angulo (1992b) comparou as marés previstas e medidas no Porto de Paranaguá no
período de 11 a 23 de outubro de 1982, observando que os máximos medidos do
nível das marés foram até 40 cm mais altos que os previstos, e os mínimos até
20 cm mais baixos, caracterizando a existência de marés meteorológicas. Comparando
as diferenças entre as marés previstas e medidas com as condições
meteorológicas de precipitação, temperatura e pressão, verifica-se que a ocorrência
de níveis mais altos que os previstos coincide com bruscas quedas de
temperatura - observáveis principalmente nas mínimas diárias - e fortes aumentos
da pressão, o que pode ser atribuído à passagem de frentes frias que ainda
alcançam o Paraná nessa época do ano. Já os níveis inferiores aos previstos ocorreram
num período de baixa pressão, alta temperatura e chuvas.
Durante a campanha de medições da Portobras (1983), realizada entre 6 de agosto
e 31 de dezembro de 1982, em duas situações em que ocorreram frentes frias o
nível do mar foi aumentado em 60 cm, o que pode ser atribuído aos ventos do
quadrante sudeste que acompanham essas frentes.
            Marone & Camargo (1994) analisaram a maré meteorológica ocorrida em 18 de
agosto de 1993 e constataram um nível da maré de cerca de 80 cm superior ao
nível de maré previsto e estimaram um volume de água represado na Baía de
Paranaguá, que possui uma área liquida de 612km², de 4,8 x 108 m³.

Serra do mar

           No Paraná, a Serra do Mar apresenta características distintas das de outros estados
brasileiros, pois não constitui apenas uma serra de borda de planalto ou de
escarpa, mas também possui setores originados principalmente por erosão diferencial.
Nas áreas onde as rochas são mais resistentes ao intemperismo (granitos e
rochas efusivas e sedimentares da Formação Guaratubinha), as serras sobressaem
entre 400 e 900 m acima do nível do planalto, alcançando altitudes entre 1300 e
1800 m. Alguns desses núcleos situam-se no interior do planalto, porém, mais
freqüentemente, localizam-se na sua borda. Neste caso, configuram-se duas vertentes
distintas, uma de menor extensão voltada para o Planalto, e outra maior,
com mais de 1000 m de desnível, voltada para o litoral. Outros núcleos de altas
serras não possuem mais contato com o planalto. Em alguns setores onde as altas
serras não ocorrem, a Serra do Mar se constitui apenas de uma serra de borda
dissecada de planalto.
           Existe na Serra do Mar uma nítida orientação de cristas e vales em três direções
predominantes, NE-NNE, NNW e NW, que se correspondem com os principais
lineamentos do substrato geológico. As orientações NE-NNE e NNW estão associadas
a velhas linhas estruturais pré-cambrianas, provavelmente reativadas ao
longo da história geológica da região. Esses lineamentos condicionam as principais
formas do relevo, tais como serras e vales maiores. A orientação NW coincide
com a orientação das intrusivas mesozóicas, que se apresentam na forma de um
enxame de diques paralelos. A maior concentração de diques ocorre na parte
central da região, aproximadamente na área da Baía de Paranaguá, e coincide
com o eixo do Arco de Ponta Grossa. Essa direção é mais evidente nas cristas e
vales menores.
           A Serra do Mar alcança o mar, no extremo meridional da Serra da Prata, que
constitui o divisor de águas entre as bacias de Paranaguá e Guaratuba.






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