A região litorânea do estado do Paraná localiza-se entre a Serra do Mar e o Oceano Atlântico e entre os litorais de São Paulo (ao norte) e Santa Catarina (ao sul). A região tem aproximadamente 6.600 km² e abrange as bacias hidrográficas de Paranaguá e Guaratuba.
A região litorânea do Estado do Paraná abrange os municípios de Guaraqueçaba,
Antonina, Morretes, Paranaguá, Pontal do Paraná, Matinhos e Guaratuba e parte
dos municípios de Quatro Barras, Piraquara, São José dos Pinhais e Tijucas do Sul.
As principais cidades da região são Paranaguá, Morretes, Antonina, Matinhos e
Guaratuba. Na orla litorânea sul existe ocupação praticamente continua entre
Pontal do Sul e a Barra do Saí.
Fisiografia
No trabalho de Geografia Física do Estado do Paraná, Maack (1968)
considerou o litoral como uma das cinco grandes zonas de paisagem natural, ou
regiões geográficas naturais, do Estado e o subdividiu em duas subzonas: a das
planícies litorâneas e a montanhosa litorânea. Essas mesmas sub-zonas
tinham sido denominadas de orla marinha e orla da serra por Loureiro Fernandes
(1947).
Quando se consideram as bacias hidrográficas das baías de Paranaguá e Guaratuba,
a região litorânea inclui partes da Serra do Mar e do Primeiro Planalto Paranaense.
Geologia
Com
relação às bacias mesozóico-cenozóicas da margem continental
brasileira, o
litoral
do Paraná se localiza na borda da bacia de Santos. Segundo Fuck et
al.
(1969),
os principais alinhamentos no embasamento são predominantemente de
direção
NE-SW. Na região de Paranaguá-Guaratuba, atingem orientação N
20º-
30º
E até N-S. Ao norte de Baía de Paranaguá, os alinhamentos mudam de
direção
para
N 50º-60º E e, próximos à costa, fixam-se em N 30º-40º E.
Dentre as estruturas
regionais,
destaca-se o Arco de Ponta Grossa, reconhecido por Sanford &
Lange
(1960,
apud Almeida, 1976). O Arco de Ponta Grossa é uma estrutura
alongada,
cujo
eixo tem orientação NW. Ferreira (1982) definiu quatro grandes
alinhamentos
tectônicos
que delimitam compartimentos do Arco de Ponta Grossa e refletem,
ou
limitam, área com grande densidade de diques e soleiras de diabásio.
Os alinhamentos
São
Jerônimo-Curiúva e Rio Alonzo, de orientação NW, passam pelo
litoral
norte e sul do Paraná respectivamente.
O
tectonismo cenozóico, segundo Asmus & Ferrari (1978), resultou
essencialmente
em
falhamentos normais com até 3000 m de rejeitos verticais, ao longo
de
linhas
de fraqueza pré-cambrianas, dando lugar ao deslizamento
gravitacional de
blocos,
os quais atualmente se expressam por escarpas de linha de falha, tais
como
a Serra do Mar (Almeida 1976, Asmus & Ferrari 1978). Com relação
à
neotectônica,
Riccomini et al. (1989) se referem ao “sistema de rift da
Serra do
Mar”,
falhamentos de provável idade Pleistoceno Superior - Holoceno,
possivelmente
ativas
até o presente.
No
litoral do Estado do Paraná, ocorrem dois domínios geológicos
principais: o
das
rochas do embasamento, ou escudo, e o da cobertura sedimentar
cenozóica.
Tanto
as rochas como os sedimentos estão associados às grandes unidades
geomórficas
da região.
Baía de Paranaguá
O complexo estuarino de Paranaguá possui dois
eixos principais: um de orientação leste-oeste, formado
pelas baías de Antonina e de Paranaguá, com
comprimento de aproximadamente 45 km e largura
máxima em torno de 7 km, e outro eixo de
orientação norte-sul, constituído pela Baía das Laranjeiras,
com comprimento aproximado de 30 km
e largura máxima em torno de 13 km. A bacia
hidrográfica deste complexo estuarino tem aproximadamente
3.882 km². As cartas
batimétricas indicam que a baía possui, em geral,
profundidades inferiores a 10 m, ocorrendo extensos
baixios e uma orla quase contínua de
manguezais. Somente nos dois canais principais
da baía, as profundidade ultrapassam 10 m, atingindo
em alguns locais 20 m (figura ao lado). Os canais
evidenciam duas vias preferenciais de circulação,
separadas por um alto batimétrico denominado
Baixio do Perigo, que pode ser considerado como
o limite entre os sistemas das baías de Paranaguá
e Laranjeiras.
O complexo estuarino se comunica com o mar por duas desembocaduras
localizadas entre Pontal do Sul e Ilha do Mel – desembocadura Sul e entre as ilhas do Mel e das Peças – desembocadura Norte (figura ao lado). A desembocadura Norte, na sua parte mais estreita, tem uma largura em torno de 1.600 m, apresentando um canal com profundidade superior a 20 m. Em direção ao mar o canal bifurca-se, passando ao norte e ao sul da Ilha das Palmas. A desembocadura Sul tem na sua parte mais estreita uma largura aproximada de 2.800 m. Associados às duas desembocaduras ocorrem extensos deltas de maré vazante (Angulo 1999) (figura a baixo).
Ilha do Mel
Na Ilha do Mel, durante a segunda metade do século XX, registraram-se variações
de mais de uma centena de metros na posição da linha de costa. No istmo de
Nova Brasília, há menção à ocorrência de processos erosivos nesta área já na
década de 1950, quando a largura do istmo encontrava-se em torno de 150 m.
Em 1980, não somente a erosão havia parado como ocorrera deposição de areia,
representando o alargamento do istmo em algumas dezenas de metros. No final
da década de 1980, o processo erosivo foi retomado, com intensificação a partir
de 1992. Ele levou ao estrangulamento progressivo do istmo até a
largura de menos de 5 m e à destruição das construções próximas à linha de costa
(Paranhos Filho et al. 1994). Em março de 1995, já existia um trecho de 36 m de
extensão sem qualquer remanescente dos terraços de cordões holocênicos. Em
maio de 2001 a extensão deste trecho era de aproximadamente 260 m. Desde
1995, existe comunicação entre as águas da baía e as do mar. A intensificação do
processo erosivo no istmo de Nova Brasília durante a década de 1990 foi simultânea
à formação de um esporão arenoso ancorado na Ponta do Farol da Conchas,
na extremidade sul da praia, com duas componentes de crescimento:
uma longitudinal e outra transversal. Na direção longitudinal, a terminação do
esporão, com um pequeno embaiamento à retaguarda, avança gradualmente em
direção à parte sul do istmo, à velocidade de crescimento média estimada foi de
cerca de 100 m/ano.
Marés
Informações
sobre marés têm sido obtidas em vários pontos da região, com 6
estações
localizadas no interior da Baía de Paranaguá e sua desembocadura e
na
boca
da Baía de Guaratuba com dados que se remontam a várias décadas,
mesmo
que
descontínuos. O litoral do Paraná apresenta uma amplitude das marés
de sizígia
inferior
a 2 m, o que caracteriza um regime de micromarés. Segundo a fórmula
proposta
por Defant (1958, apud
Komar
1976), a análise de um ano de maregrama
do
Porto de Paranaguá forneceu um valor de 0,24, que caracteriza a maré
como
semidiurna
(0 a 0,25), porém com um valor próximo do limite com as marés
mistas
predominantemente semidiurnas. Isto significa que ocorre uma maré
secundária
com
período menor.
No
ano de 1982 a Portobras (1983) realizou medições das marés em três
locais da
costa
paranaense: Porto de Paranaguá e Ilha das Cobras, localizados no
interior da
Baía
de Paranaguá, e Pontal do Sul, situada na desembocadura sul da baía.
As
amplitudes
foram maiores no porto (178 cm) e menores em Pontal do Sul (145 cm),
mostrando
o efeito de amplificação do estuário. As diferenças de altitudes
entre
os
níveis máximos e mínimos observadas no período (agosto a dezembro
de 1982)
também
foram maiores no interior da baía, sendo de 3,1 m no Porto e 2,8 m
em
Pontal
do Sul.
Angulo
(1992b) comparou as marés previstas e medidas no Porto de Paranaguá
no
período
de 11 a 23 de outubro de 1982, observando que os máximos medidos do
nível
das marés foram até 40 cm mais altos que os previstos, e os mínimos
até
20
cm mais baixos, caracterizando a existência de marés
meteorológicas. Comparando
as
diferenças entre as marés previstas e medidas com as condições
meteorológicas
de precipitação, temperatura e pressão, verifica-se que a
ocorrência
de
níveis mais altos que os previstos coincide com bruscas quedas de
temperatura
- observáveis principalmente nas mínimas diárias - e fortes
aumentos
da
pressão, o que pode ser atribuído à passagem de frentes frias que
ainda
alcançam
o Paraná nessa época do ano. Já os níveis inferiores aos
previstos ocorreram
num
período de baixa pressão, alta temperatura e chuvas.
Durante
a campanha de medições da Portobras (1983), realizada entre 6 de
agosto
e
31 de dezembro de 1982, em duas situações em que ocorreram frentes
frias o
nível
do mar foi aumentado em 60 cm, o que pode ser atribuído aos ventos
do
quadrante
sudeste que acompanham essas frentes.
Marone
&
Camargo
(1994) analisaram a maré meteorológica ocorrida em 18 de
agosto
de 1993 e constataram um nível da maré de cerca de 80 cm superior
ao
nível
de maré previsto e estimaram um volume de água represado na Baía
de
Paranaguá,
que possui uma área liquida de 612km²,
de 4,8 x 108
m³.
Serra
do mar
No
Paraná, a Serra do Mar apresenta características distintas das de
outros estados
brasileiros,
pois não constitui apenas uma serra de borda de planalto ou de
escarpa,
mas também possui setores originados principalmente por erosão
diferencial.
Nas
áreas onde as rochas são mais resistentes ao intemperismo (granitos
e
rochas
efusivas e sedimentares da Formação Guaratubinha), as serras
sobressaem
entre
400 e 900 m acima do nível do planalto, alcançando altitudes entre
1300 e
1800
m. Alguns desses núcleos situam-se no interior do planalto, porém,
mais
freqüentemente,
localizam-se na sua borda. Neste caso, configuram-se duas vertentes
distintas,
uma de menor extensão voltada para o Planalto, e outra maior,
com
mais de 1000 m de desnível, voltada para o litoral. Outros núcleos
de altas
serras
não possuem mais contato com o planalto. Em alguns setores onde as
altas
serras
não ocorrem, a Serra do Mar se constitui apenas de uma serra de
borda
dissecada
de planalto.
Existe
na Serra do Mar uma nítida orientação de cristas e vales em três
direções
predominantes,
NE-NNE, NNW e NW, que se correspondem com os principais
lineamentos
do substrato geológico. As orientações NE-NNE e NNW estão
associadas
a
velhas linhas estruturais pré-cambrianas, provavelmente reativadas
ao
longo
da história geológica da região. Esses lineamentos condicionam as
principais
formas
do relevo, tais como serras e vales maiores. A orientação NW
coincide
com
a orientação das intrusivas mesozóicas, que se apresentam na forma
de um
enxame
de diques paralelos. A maior concentração de diques ocorre na parte
central
da região, aproximadamente na área da Baía de Paranaguá, e
coincide
com
o eixo do Arco de Ponta Grossa. Essa direção é mais evidente nas
cristas e
vales
menores.
A
Serra do Mar alcança o mar, no extremo meridional da Serra da Prata,
que
constitui
o divisor de águas entre as bacias de Paranaguá e Guaratuba.