O espaço rural paranaense continua sendo marcado pela heterogeneidade estrutural e
pela desigualdade social. O desempenho produtivo dos segmentos agrícolas e pecuários e a
capacidade do setor em responder às demandas do mercado freqüentemente obscurecem a
permanência das desigualdades econômicas e sociais entre os agricultores e entre a população
rural de um modo geral. Esse desempenho produtivo e a importância econômica, para o Estado
e para o país, da produção agropecuária e agroindustrial paranaense fazem com que, para
muitos estudiosos, analistas e governantes, as questões do mundo rural sejam reduzidas às
questões agrícolas e às variáveis clássicas de preço, quantidades, financiamento e taxas de
juros, entre outras. Mas a pobreza que insiste em fazer parte do cenário rural do Paraná tem
causas estruturais, principalmente na estrutura de posse da terra, origem básica das
desigualdades. Ou seja, os problemas do mundo rural ultrapassam as questões agrícolas e se
inserem, principalmente, em questões agrárias.
A sociedade rural é composta em sua maior parte por agricultores em regime de
economia familiar. O número de estabelecimentos e a área controlada pelos agricultores
familiares variam, conforme a fonte consultada.10 Para o Incra, a agricultura familiar detém
86,9% dos estabelecimentos rurais do Estado e 41% da área, enquanto que os
estabelecimentos controlados por empresários – a denominada agricultura patronal – detêm
12% dos estabelecimentos e 58,2% da área. Se adotarmos como critério de definição
apenas o tamanho dos estabelecimentos e considerarmos que os agricultores em regime de
economia familiar possuem até 50 hectares de área total, eles representariam 85,9% dos
estabelecimentos e 27,7% da área. Quanto ao Valor Bruto da Produção (VBP), os
agricultores familiares foram responsáveis, segundo o Incra, por 48% do valor total.
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